segunda-feira, 19 de março de 2012

Dispenso a saudade

Alguém me foi embora
morreu ou partiu
 Agarro as lembranças
não tanto a saudade
respirando as memórias
do bonito que foi

Gozo as delícias dos Consolados Tempos
momento eternidade de ponteiros parados
velozes corridas sem metas intermédias
em que a chegada é nunca
e o fim além do Além

Afasto da minha alma sentires vertiginosos
doenças de um viver em molhos lacrimados
passeando o meu olhar por margens transparentes
ilimitando o futuro
das minhas dores que dormem

Faço o passado eterno
e tempo de presente
em relógio linear estrada do infinito
e o desbobinar vindouro
num tempo que é sempre

de memórias bebidas
de lembranças bonitas
dum ido nunca ausente

e dispenso assim a saudade

Eliseu Tito Machado